30/11/2009

O Enigma de Kasper Hauser

O diretor alemão, Werner Herzog, trabalha em “O Enigma de Kaspar Hauser” algo que veríamos como uma constante em seus trabalhos ao longo dos anos, a paradoxilidade do ser humano, suas dubialidades.
Lançado em meados dos anos 70, do século XX, o longa-metragem mostra a trajetória do ainda adolescente Kaspar até o momento de sua morte e autópsia.
Ignorado pela sociedade e mal compreendido por aqueles que o cercam, ou melhor, não o cercam, Kaspar é como o título da película, um verdadeiro enigma.
Herzog viria a trabalhar com esses outsiders 32 anos depois, no fabuloso documentário “O Homem-Urso”, sobre as insanas desventuras de Timothy Spreadwell em meio a parques ecológicos como se fossem as savanas africanas.
Assim como Timothy, Kaspar não é um modelo padrão de pessoa que podemos considerar sociável. Eles são seres ao inverso do que não é só costumeiramente visto, mas também aceito.
Então esses personagens reais tornam-se objetos de estudos para os diversos campos das ciências. Quem garante que os ditos “normais” é que não são os diferentes, os desajustados sociais? O que significa ser sociável? É agir de acordo com o senso comum ou ter bom senso para diferenciar os diversos caminhos que nos são impostos durante a vida? Kasper era assim, um questionador, um intrigador. Ele questionava o que era considerado normal, o que se achava saber.

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